Quando os tambores da Charanga soa nas arquibancadas do Bento Freitas, o coração de uma pessoa bate no mesmo compasso do som gerado na torcida. É a sintonia entre uma torcida apaixonada e um técnico sanguíneo, vencedor e corajoso. A apreensão da torcida Xavante começa a diminuir a partir de agora. As aflições chegaram ao fim. O técnico Rogério Zimmermann, símbolo do novo momento rubro-negro - recheado de conquistas e fronteiras desbravadas - é o primeiro membro do departamento de futebol a renovar contrato com o Brasil para 2015. Com ele, a certeza de muito planejamento, organização e garra para enfrentar um calendário cheio, que começa com o Gaúchão, passa pela Copa do Brasil e encerra na Série C do Campeonato Brasileiro. Desde 2012 na Baixada, Zimmermann entrará na sua quarta temporada à frente da casamata do clube, algo que contraria a lógica dos clubes do interior do estado e do país.

Esta é a segunda passagem do porto-alegrense no Bento Freitas. As duas, até então, são bastante longas e vitoriosas. Na primeira, em 2004, Rogério recolocou o Brasil na elite do futebol gaúcho. Na segunda, desde 2012, ele foi mais ousado. Não só recolocou - novamente - o rubro-negro na primeira divisão, como levantou o caneco de Campeão do Interior e devolveu a vaga na Série C do Brasileirão. Recordes foram quebrados e ele, agora cidadão pelotense, deu ao futebol da cidade uma inédita final de campeonato nacional. Quem pensa que as conquistas acabaram se enganou, elas seguem e, pelo visto, estão apenas começando. As batidas da charanga seguirão ditando o ritmo do coração do comandante.

O começo
               
A estréia foi longe de casa. Em Canoas, contra a extinta Ulbra, que se tornaria, naquele 2004, vice-campeã gaúcha, o técnico Rogerio Zimmermann vestiu pela primeira vez o manto rubro-negro e sentou-se na casamata para orientar os seus comandados. A partida foi realizada em um sábado, 31 de janeiro, no Campo Universitário da Ulbra, e, como não seria diferente, o xavante saiu vitorioso. 3 a 2 e a primeira vitória daquele ano, que seria marcado pelo retorno xavante à primeira divisão do futebol gaúcho.
               
Naquele mesmo 2004, Rogério ajudou a conquistar, já no primeiro semestre, o seu primeiro titulo: Campeão Citadino. E não foi apenas mais um título municipal. Foi um troféu com direito a vitória em BraPel na casa do adversário, com dois jogadores a menos. Aquela partida entrou para a história do clube e do centenário clássico pelotense. Mas não foi o citadino ou a vitória no BraPel que registrou a maior alegria do ano. Com uma campanha impecável, um time avassalador e um artilheiro endiabrado, Rogerio Zimmermann reconduziu o Brasil ao seu lugar: a primeira divisão do futebol gaúcho.
               
O ano do retorno ao Gaúchão, 2005, também fez com que o Bento Freitas recebesse outro troféu. Após boa campanha no certame estadual, Rogério comandou o rubro-negro ao vice-campeonato da Copa Emídio Perondi.
               
O até breve
               
Após um 2005 de conquistas, o ano seguinte veio e com ele a última partida de Zimmermann no comando do clube. Em 22 de janeiro, pelo Gauchão 2006, a derrota por 2 a 1 para o Novo Hamburgo, no Bento Freitas, marcou o fim da primeira trajetória dele no comando xavante. A história parou, mas não acabou. Quando saio, Rogério sabia que, um dia, retornaria ao clube que lhe trouxe tantas alegrias e, assim como um filho que retorna ao lar, voltou para, novamente, reescrever a história de sucesso do Grêmio Esportivo Brasil.
               
O retorno
               
O ano era 2012, seis anos haviam passado desde a saída do treinador da Baixada. Nestes anos, ele rodou por diversos clubes, disputou títulos, viveu sucessos e fracassos, mas sempre sentia a falta de algo. Algo que lota estádios, que canta apaixonadamente, que vibra incansavelmente.  E, em um 25 de maio, eles se reencontraram. Torcida e Rogério. Rogério e Brasil. Um novo capítulo que começou diferente do primeiro. Desta vez foi com derrota, para o Passo Fundo, por 2 a 1. Mas todos dotavam o mesmo sentimento, o de que a parceria voltara e, com ela, os sucessos.
               
Após não conseguir classificar o clube para o quadrangular final da Divisão de Acesso, Rogério se manteve no comando rubro-negro e começou a montar a base para o ano seguinte. Antes de enfrentar novamente a segunda divisão estadual, ele levou o clube ao vice-campeonato da Copa Hélio Dourado, perdendo o título por detalhes para o Juventude, em um jogo onde as falhas do árbitro Leandro Vuaden, que não marcou um pênalti a favor do Brasil, tiraram a taça de campeão das prateleiras do Bento Freitas.

O retorno ao Campeonato Gaúcho da primeira divisão foi triunfal. Em uma campanha arrasadora, o Brasil enfrentou de forma igual os gigantes da capital e não se apequenou. Chegou às semifinais da competição, e viu a final não surgir em mais um erro de arbitragem. O terceiro lugar no campeonato lhe trouxe o Título do Interior e a vaga na Série D do Campeonato Brasileiro. Além disso, ganhou o direito de disputar a Copa do Brasil 2015.

Já no segundo semestre, no grande desafio do ano, novamente sucesso. O Brasil foi abatendo adversário após adversário e chegou a tão sonhada vaga na Série C do Campeonato Brasileiro. Ainda não satisfeito, chegou a uma final inédita de campeonato nacional e, em uma decisão pífia de um tribunal esportivo, foi disputar a decisão com onze desfalques, mesmo assim, bravamente, chegou ao vice-campeonato da competição.

O futuro

Rogério não é daqueles que se acomoda com a vitória. Pelo contrário. Ele a trata apenas como uma motivação para seguir buscando novos desafios. E assim, ele projeta o futuro do Brasil. As disputas de 2015, onde o calendário está completo, podem levar o Brasil a vôos maiores no cenário nacional. Embora as conquistas estejam orgulhando a todos, Zimmermann sabe que para figurar entre os principais times do país, o clube precisa passar por grandes mudanças, principalmente na parte infraestrutural. Mas como um bom guerreiro Xavante, ele não foge das disputas e dos desafios e estará no Bento Freitas, ajudando a erguer esse clube e fazer a mais apaixonada torcida do mundo, sorrir, cantar, pular e comemorar. O comandante ficou e as vitórias seguirão vindo. Avante!

               
FOTO: Carlos Insauriaga e Italo Santos / GEB

Jonathan Silva
Assessoria de Imprensa GE Brasil
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Canguçu Sports

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