Ricardo Stuckert
A Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 ainda nem terminou, mas o impacto que o evento causa no país-sede já se faz notar. Neste domingo, com quatro jogos do torneio ainda por ser disputados, o secretário geral da FIFA, Jérôme Valcke, compareceu à cerimônia de entrega do reformado CEJU (Centro Esportivo da Juventude), área que vai abrigar quatro campos oficiais dedicados ao futebol de base e ao futebol feminino em Belém.
Esse é o pontapé inicial das atividades que o Fundo de Legado da Copa do Mundo da FIFA 2014 vai promover em todo o país. E a localização do primeiro projeto, na capital paraense, não é aleatória. Nos trabalhos voltados para a infraestrutura do futebol, o fundo tem como foco justamente os 15 estados que não receberam uma cidade-sede do grande torneio.
“Por que estamos em Belém hoje? Para ver o outro lado da Copa do Mundo, e como o dinheiro que ela gera é usado para desenvolvimento”, afirma Valcke. “Organizamos a Copa do Mundo e, sim, é a melhor Copa do Mundo e ela ainda está em curso, mas começamos desde já o legado, e isso não se resume a 12 estádios. A Copa do Mundo tem de ser para todos e é para todo o Brasil. Começamos aqui em Belém, mas vamos para todos os demais Estados.”
 Os investimentos começam com a construção de quatro campos de futebol – três de gramado artificial, um natural – na reforma do CEJU, complexo vizinho ao Estádio Olímpico do Pará, o famoso Mangueirão. A reforma ainda está em andamento, mas as crianças da região já conseguiram bater uma bola em um de seus campos logo após a realização da cerimônia que contou também com a participação do presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, José Maria Marin, o capitão da Seleção campeã mundial em 2002, Cafu, o presidente da Federação Paraense de Futebol, Antônio Carlos Nunes, e representantes do governo local e do Centro Esportivo da Juventude de Belém.
“Vejo estes campos sendo construídos e fico imaginando quantos novos craques podem surgir aqui. Seria uma forma de honrar a tradição do futebol paraense, que já revelou grandes nomes como o meia Giovanni, ex-Santos e Barcelona, e hoje Paulo Henrique Ganso, do São Paulo”, diz Marin. “É importante ressaltar isso: que a abrangência da Copa do Mundo vai muito além e é um divisor de águas para nosso futebol. Vamos colher os frutos de todo o investimento realizado.”

Um novo palco
Um dos garotos que sonha com um futuro desses é Danilo Silva, de 11 anos, morador do bairro Parque Verde. Mais um fã de Neymar, ele visitou o CEJU pela primeira vez neste domingo e se disse maravilhado. “Será uma coisa única poder treinar aqui. Estou muito mais acostumado a jogar nas ruas”, conta o jovem torcedor do Paysandu, um dos grandes clubes da cidade ao lado do Remo. Trocar o asfalto pelo gramado é também o que vai fazer Daiane Cristina, de 13 anos, que vive mesmo nos arredores do Mangueirão. Qual a ideia dela ao ver um centro renovado destes por perto? “Se eu puder, venho jogar aqui todos os dias. Tem muito mais estrutura, é bem mais seguro, sem risco de a gente se machucar.”
As atividades que se iniciam em Belém terão, contudo, impacto em todos os estados do país. Seu leque de ação vai além da infraestrutura, englobando também trabalhos direcionados para a fomentação do crescimento do futebol feminino e o de base; a prevenção médica e a saúde pública e os programas sociais para comunidades carentes. Os empreendimentos serão aprovados em sintonia com as estratégias de desenvolvimento da FIFA.
“Sempre fui um dos defensores dos legados que a Copa do Mundo podem deixar para o país, em prol de nossas crianças. Hoje temos a prova viva, por meio da Federação Paraense, que tem a oportunidade de dar uma alegria enorme para essa garotada que está aqui”, diz Cafu, que trabalha com cerca de 750 crianças em seu instituto, em São Paulo. “É do que mais precisamos: direito de igualdade para todos. Através desses centros esportivos vamos chegar a isso. A Copa termina em uma semana, mas a nossa Copa particular vai continuar.”
A ideia do Fundo de Legado da Copa do Mundo da FIFA foi criada após o Mundial de 2010, com o objetivo de promover e garantir a continuidade do desenvolvimento do futebol sul-africano e de financiar iniciativas sociais que usem o esporte como ferramenta.
No Brasil, o aporte inicial será de US$ 20 milhões (aproximadamente, R$ 44,3 milhões de acordo com o câmbio deste domingo). Mas os valores totais serão definidos depois de computados os resultados financeiros do Brasil 2014.  A expectativa é de que o investimento alcance a marca de US$ 100 milhões (R$ 221 milhões). “A diferença é que aqui no Brasil já começamos antes”, registra Valcke. “A Copa do Mundo vai perdurar. Vocês vão poder ver por todos os lados e por muitos anos os benefícios desse legado.”
Axact

Canguçu Sports

Canguçu Sports é um blog portal voltado para as notícias esportivas da cidade de Canguçu e Zona Sul do estado do Rio Grande do Sul, criado em 2008 com intuito de facilitar a inclusão esportiva e na mídia digital é parte integrante da empresa BR PRESS. E-mail : editorresponsavel@gmail.com

Deixe um comentário:

0 comments: