A superioridade da França sobre Honduras no gramado do Beira-Rio, confirmada pelo placar de 3 a 0 para os europeus,  foi um consenso nas coletivas de imprensa dos técnicos, ao final do confronto desta tarde, em Porto Alegre. Mas se o comandante latino-americano reconheceu a derrota, também mostrou desconforto com a primeira experiência da tecnologia da linha do gol em uma Copa do Mundo.

» Com grande atuação de Benzema, França vence Honduras por 3 x 0 no Beira-Rio

A confusão gerada a partir da reprodução do segundo gol no telão fez surgir uma forte vaia no estádio e levou Luis Suárez a levantar dúvidas sobre a eficácia do sistema. O chute de Benzema bateu na trave e, neste momento, a bola não entrou completamente, como mostraram as câmeras da tecnologia. Só depois de bater no goleiro, na sequência, é que a brazuca entrou completamente. Os dois momentos foram mostrados para o público. Mas, a despeito disso, o técnico admitiu ter sido incapaz de neutralizar a equipe francesa. "Não há desculpas sobre o que se viu no futebol. A França foi superior. Temos de melhorar o funcionamento do nosso sistema de jogo para evoluir", disse.

Suarez também lamentou a expulsão do jogador Palácios, no lance de pênalti que originou a abertura do placar, ainda na primeira etapa. "Fica muito difícil atuar tanto tempo com um jogador a menos contra uma seleção forte como a da França. Talvez o jogo pudesse ser diferente com 11 contra 11", completou.

Após comemorar com seus jogadores a boa estreia, o técnico Didier Deschamps tratou de manter os pés no chão. Para ele, foi um início perfeito, principalmente porque as dificuldades impostas por Honduras acabaram superadas. "Mas não foi fácil, apesar de termos colocado duas bolas na trave antes de fazermos o primeiro gol", disse. O francês revelou que teve de pedir calma a Evra, que reagiu fortemente após sofrer uma entrada dura. "Alertei para o fato de que não poderíamos ter jogadores expulsos e que era preciso manter o controle".

Deschamps também comentou o segundo gol, assinalado após o uso de tecnologia. "É uma boa solução. O gol foi válido, o árbitro recebeu o sinal e apontou. O problema foi o telão ter mostrado dois momentos. Entendo a queixa de Honduras. A FIFA deveria mostrar a imagem que justifica e apoia a decisão do árbitro", comentou.

O técnico francês elogiou a atuação de Benzema, autor de dois gols e do arremate que resultou em outro, atribuído ao goleiro hondurenho. "Ele foi muito bem, mas também tivemos força coletiva. Nossa linha ofensiva fazia movimentos repentinos e com potência atlética. Os laterais e o meio de campo foram muito bem, desestabilizando os adversários", analisou.

Ao final, ele também comemorou o apoio de torcedores franceses, que, mesmo em menor número, se fizeram ouvir no Beira-Rio, com festa e muita energia. "Fiquei muito feliz em ouvir o hino da França cantado das cadeiras. É natural que as seleções latino-americanas tenham mais apoio na América do Sul, pois estão mais perto de casa. Mas nós também tivemos a nossa torcida", completou.

Claudio Medaglia, do Portal da Copa em Porto Alegre


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