Canguçu é um município peculiar. Diz-se que possui 14 mil propriedades rurais, sendo recordista em minifúndios no Brasil. Dos 53 mil habitantes, cerca de 60% vivem na zona rural. Sempre ouvi uma história de que, se emendadas umas nas outras, as estradas vicinais de Canguçu poderiam levar a algum lugar distante, como Fortaleza ou Uruguaiana. Não sei se é verdade.
Mas é verdade que o interior de Canguçu é extremamente populoso e cheio de diversidade. Ali convivem, com grande harmonia, os descendentes de alemães, os quilombolas e os “brasileiros”, categoria na qual se encaixavam meus avós, que viviam na Florida, uma das dezenas de localidades do interior de Canguçu.
Eu teria uma série de histórias para contar de coisas que vi acontecerem no rico e diverso interior de Canguçu, mas conto uma história que ainda não conhecia. Na localidade de Coxilha dos Campos, existe um clube de futebol de 82 anos. Um aurinegro das coxilhas, cujas cores, brincam seus adeptos, foram copiadas pelo Peñarol. Um octagenário clube de futebol no interior profundo do Rio Grande do Sul, que hoje trabalha para se modernizar: o Itararé Football Club.
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Sem nunca parar as atividades, o clube sempre disputou o Campeonato Municipal de Canguçu, organizado pela Associação Canguçuense de Futebol de Campo (ACFC), que reúne 12 equipes e deve começar, em 2014, ali por agosto ou setembro. Este ano, por limitações financeiras, o Itararé não deve disputar o Campeonato Interiorano, organizado pela Associação de Futebol do Interior de Canguçu (AFIC).
“O nosso orçamento para disputa de um campeonato gira em torno de 3 a 5 mil reais, enquanto tem equipes que investem de 25 a 50 mil reais em apenas um campeonato. Felizmente temos alguns jogadores que ainda jogam pelo amor a camiseta e assim contribuem com a diretoria na manutenção do clube”, diz o diretor de futebol do Itararé, Rérinton Joabel.
O clube, hoje presidido por Elenar Silveira, o Ferrinho, se mantém na base da colaboração da comunidade. Esqueçam os contratos milionários de patrocínio e as cotas de TV: o Itararé vive de rifas, festas e do dinheiro do bolso de seus associados. Agora, o clube do interior do Canguçu está iniciando uma grande revolução institucional: a reforma do modesto Jaime Campos.
“Para isso, precisamos do esforço de todos, no que cada um puder ajudar, desde ajuda com mão de obra, até a arrecadação de dinheiro, tijolos, areia, cimento, arame, ferro de obra e tinta”, explica Joabel.
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No momento, a reforma se concentra na recuperação do muro de entrada, que estava caindo, e na construção de novos acessos, contemplando a acessibilidade para cadeirantes. Na segunda fase, a reforma vai ser no muro do lado da copa, que estava caindo no pátio do vizinho. Isso vai ter que acontecer antes do início do Campeonato Municipal. Outra obra urgente é a reconstrução do vestiário dos visitantes. Por último, o clube vai reformar sua cancha de bocha, anexa ao estádio, para que o Departamento de Bocha do Itararé retome suas atividades.
Como se vê, a causa é nobre e tem urgência. Para arrecadar fundos, o clube está vendendo uma linda camiseta aurinegra, com o símbolo do Itararé e suas quatro estrelas. A camiseta custa 40 reais (30 para custear o produto e 10 para o fundo do clube). Ou seja: eis uma grande oportunidade de comprar uma bela camiseta de futebol e ajudar a manter viva uma relíquia do futebol gaúcho.
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Venceremos,
Daniel Cassol

Axact

Canguçu Sports

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